Porque o NOVO Coronavirus é tão perigoso?

Muito se fala sobre o novo coronavirus e necessidade de quarentena. Mas o que de fato torna esse vírus tão perigoso?

Pessoas que não estão em retiros incomunicáveis há muitos meses ou em coma por esse tempo já ouviram falar do novo coronavirus e está acompanhando a onda de infecção e morte no mundo causada por ele. Mas por que esse vírus é chamado de “novo” se você nunca tinha ouvido nem falar em coronavirus antes?

É importante fazer um esclarecimento, que o nome do vírus identificado é SARS-CoV-2. Coronavirus é o TIPO de vírus, a família a qual ele pertence, que engloba outras centenas de vírus existentes, a maior parte deles identificados apenas em animais. São vírus que afetam o trato respiratório.

Vivos e circulantes há muitas décadas (o primeiro foi identificado em galinhas, nos anos 1930 – mas obviamente já estavam lá antes disso), os vírus dessa família tem origem em animais de outras espécies que não a nossa. Porém, vírus podem sofrer mutações e em alguns casos isso causar uma infecção, uma transmissão de uma espécie para outra – inclusive seres humanos. Dá-se o nome de Contágio Cross-Espécies ou “transbordamento” (do termo em inglês spillover).

O primeiro vírus da família Coronavirus identificado em um ser humano foi o 229E, nos anos de 1960. Aquele mesmo vírus identificado em galinhas 30 anos antes. Esse não é um vírus agressivo, podendo causar sintomas leves parecidos com o de gripe e com baixa contaminação. Como ele, outros 3 foram identificados em humanos e com sintomas de leves a moderados: OC43, NL63, e HKU1 (por ordem de gravidade).

Coronavirus mais letais já existiram

Porém, nem todos os coronavirus descobertos em humanos apresentam sintomas amenos. O primeiro grave identificado foi o SARS (SARS-CoV), colhidos entre 2002 e 2003. As enfermidades causadas possuem muita similaridade com a COVID-19 que enfrentamos, principalmente por atacar pessoas mais velhas e com baixa imunidade. Mesmo assim, durante o surto entre novembro de 2002 e julho de 2003 (somado a 2014 com o último caso relatado), temos registradas apenas 774 mortes por SARS no mundo.

Uma década depois, tivemos ocorrências de outro vírus da mesma família, o MERS (MERS-CoV) – um vírus menos contagioso porém mais mortal, que causou um surto grande em 2015 na Coréia do Sul e outro em 2018 na Arábia Saudita. Já houve outros pequenos surtos de MERS, porém são todos pequenos e rapidamente contidos. Entre 2012 e 2019 o MERS matou 898 pessoas no mundo.

O que há de diferente no novo coronavírus?

Tanto o SARS quanto o MERS são doenças agudas do trato respiratório, que matam muito rápido e, quando surgiram, também não se sabia muito sobre elas – mas nenhuma delas causou uma pandemia. Porém, os sintomas de ambas são muito evidentes e atuam muito rápido, então é mais fácil identificar pessoas infectadas por esses coronavirus. Fora a taxa de letalidade ser alta, o que não dá muita chance de uma pessoa doente viajar, ter contato com muitas pessoas.

O índice de contágio, que é chamado de R0, indica uma probabilidade de uma pessoa infectada contagiar outras pessoas. No SARS, esse índice varia entre 2 e 3, o que significa que uma pessoa doente consegue transmitir o vírus para outras 2 ou 3 pessoas. Para o MERS, o índice é menor que 1. No caso da COVID-19, esse índice pode chegar a 5.

Isso acontece principalmente porque os sintomas apresentados em pessoas infectadas nem sempre são graves. Existem pessoas que são infectadas, carregam o vírus e o transmitem, sem nunca apresentarem qualquer sintomas. Uma pessoa sem sintomas encontra outras pessoas, viaja, participa de eventos, reuniões, não tem tanta preocupação com o contágio – e as pessoas ao seu redor também não, logo, o vírus se espalha sem dificuldade.

Então, o que fazer?

Enquanto não se identifica uma medicação capaz de combater o vírus e curar as pessoas da COVID-19, precisamos evitar o contágio. É a melhor forma. Para conter a transmissão do vírus, é preciso evitar o contato com pessoas e locais possivelmente infectados. Quarentena para quem puder. Restrições para os demais.

Sabemos que o SARS-CoV-2 nos contagia através das mucosas do nosso corpo. As principais estão expostas na maior parte do tempo através da boca, olhos e nariz. Então é importante seguir as orientações da OMS para cuidar de nossa saúde e das outras pessoas.

Dicas para reduzir o contágio da COVID-19

  • Lave sempre as mãos, com água e sabão. O que mais utilizamos para tocar objetos que possam estar contaminados é geralmente o que usamos também para tocar nosso rosto, então, que elas estejam sempre limpas.
  • Fora de casa, use máscaras protetoras. Uma simples de tecido já ajuda. Se duas pessoas estão usando máscara e uma delas está infectada pelo vírus, as chances de transmissão são quase zero.
  • Evite tocar o rosto. É difícil, mas principalmente estando na rua, não faça isso. É muito mais fácil para o vírus ser transmitido se estiver perto do seu olho do que se estiver apenas em suas mãos.
  • Ao chegar em casa, após ter saído, tire toda a roupa logo na entrada, coloque para lavar e tome banho – lave até os cabelos. Se usar óculos, lave-os também. Guarde objetos, como carteira e chaves, perto da porta para quando for sair novamente. Desinfecte o celular com álcool isopropílico. Se usar álcool líquido ou gel 70%, cuidado com partes plásticas que podem manchar.

Se for possível, #FiqueEmCasa!

2 thoughts on “Porque o NOVO Coronavirus é tão perigoso?

  1. Óbitos totais:

    Janeiro a abril:

    2018 – 391.953
    2019 – 377.796
    2020 – 379.672

    Só março:

    2018- 98.664
    2019- 91.109
    2020- 97.732

    Só abril:

    2018- 100.819
    2019- 99.657
    2020- 101.819

    Tem parada muito errada nesses números… Me cheira manipulação…

    1. Olá KING, tudo bem?

      Pode nos dizer de onde tirou esses números?

      Te indico o portal da transparência do Registro Civil, entidade que detém os dados de nascimentos e mortes no Brasil oficialmente. Eles criaram um especial sobre a COVID-19 e doenças associadas (insuficiência respiratória e pneumonia). Você poderá notar que os números (que são exibidos com a comparação do período do ano anterior) são parecidos até abril.

      A curva de crescimento da doença é exponencial, então o crescimento é pequeno no início mesmo (isso é matemática). Estamos dobrando o contágio a cada 10 dias.

      Tá aqui, pra não ficar apenas na nossa palavra:
      https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid

      Abraço

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